6.2.13

[Resenha] A última carta de amor




Título: A última carta de amor
Título original: The last letter from your lover
Autor(a): Jojo Moyes (site)
País: Reino Unido - Inglaterra
Ano publicação original: 2010
Editora: Intrínseca
Páginas: 378




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(4/5)

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Aí está um livro que eu me apaixonei pela capa, namorava nas estantes, comprei e demorei um pouco para ler. Mas finalmente, senti que ele alcançou o seu propósito, me fazer suspirar.
Mas eu adianto: não se deixe enganar pelas frases dos jornais, algumas exageraram nos seus sentimentos sobre a história.

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Breve sinopse

Ellie é uma jornalista que pode ascender. O problema é que seu relacionamento com um escritor casado parece estar complicando sua vida, seja pelo romance que a deixa nas nuvens durante o trabalho, seja pelos problemas que parece gerar com seus amigos.
Ela acaba descobrindo no seu local de trabalho uma carta de amor da década de 60, que mexe com seus pensamentos e lhe deixa curiosa quanto ao rumo da história. História que passamos a conhecer quando retornamos ao  hospital onde Jennifer Stirling acorda após um acidente em 1960.
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- Não vai lê-las?
- Não preciso. Sei o que está escrito. 
p.234

Jojo Moyes tem uma escrita muito gostosa. Perfeita para um romance porque é envolvente, carismática, sincera. Ela consegue gerar um conflito ou uma dúvida, mas sem grandes rodeios.
É certo que me tornei uma fã e fiquei ansiosa para ler outros livros dela.

Ela descobrira que as memórias podiam de fato alojar-se em outros lugares que não a mente. 
p.49

Ela consegue trabalhar o texto de A última carta de amor com mudanças temporais sem causar estranhamento.
Começamos na atualidade com Ellie e seu dia-a-dia, a carta é encontrada. Aí retornamos algumas décadas para conhecer Jennifer. Não sabemos quem ela é. Sequer ela sabe quem é e onde está.
É uma posição delicada de se trabalhar, porque podemos supor que ela está relacionada com a carta só que não sabemos se o que se passa está antes ou depois do momento em que a carta foi escrita.
E a partir daí os capítulos oscilam no tempo passado, no tempo ac e dc, antes da carta e depois da carta.
Praticamente esquecemos que Ellie surgiu nos dias atuais em algum momento porque mergulhamos na história de amor linda e complicada que se desenrola. Temos o mesmo desejo e curiosidade das primeiras páginas: o que irá acontecer com o casal?

Ela olho para o chão, depois seus olhos voltaram a fitar os de ...., o subir e descer do seu peito revelando quanto ele a deixara chocada. Seus olhos se encontraram, e, naqueles poucos instantes silenciosos, ele lhe disse tudo. Disse que ela era a mulher mais incrível que ele já havia conhecido. Disse que ela assombrava suas horas de vigília, e que cada sentimento, cada experiência que ele tivera na vida até aquela altura tinham sido sem graça e sem importância diante da enormidade daquilo. Disse que a amava. 
p.122

E eis a surpresa: a autora consegue ser sensível e realista. Conseguimos divisar as situações pelas quais já passamos ou que conhecidos passaram, há loucuras realizadas e também as prudências. Você quer interferir na história em alguns momentos, mas mantém-se calada porque sabe que não há o que fazer. A vida é assim.

Eu acho que essa sensação resume grande parte do livro: a vida é assim.

A vida é cheia de amores abruptos. Cheia de amores que esperamos e não conseguimos sentir. Repleta de momentos em que você esquece os limites e se arrisca, enquanto em outros você se segura mesmo querendo arriscar-se. Tem alegrias, tem decepções, tem prazer, tem dor.
A vida não se torna imprestável só porque não alcançamos a felicidade, sempre há motivos para sorrir. Você pode chamar de destino ou pode achar que deve buscar outros objetivos.

- Sra. Stirling - disse a Sra. Cordoza, sem levantar a vista -, eu nunca lhe contei isso. Na África do Sul, onde morei, era costume cobrir as janelas com cinzas quando um homem morria. Quando meu marido morreu, mantive as janelas limpas. Na verdade, limpei tanto os vidros que ficaram brilhando. 
p.175

E nós nos deparamos com essa ambientação realista seja nos capítulos do passado, seja na atualidade. Apesar de que nos capítulos finais o realismo perde um pouquinho de espaço para a esperança da ficção. E, embora não acredite que seja por essa razão, é mais ou menos nessa etapa que o livro dá uma desandada. Que se perde um pouco.

Os personagens são muito interessantes. Todos. Mesmo os que parecem um pouco clichê.
Confesso que não gostei tanto da Ellie, mas Jennifer ocupou o buraco da afeição perdida pela protagonista. Ela foi perfeitamente construída para sua época. A ambientação histórica é sensacional.
Sra. Cordoza é outra personagem que 'come pelas beiradas' e me arrebata profundamente.

Fiquei com vontade inclusive de saber mais sobre alguns personagens que aparecem pouco embora sejam tão significativos.

Recomendo o livro para quem gosta de romances, para quem curte conhecer outras décadas, para quem gosta de um certo mistério e para quem sabe que a vida não é simples.
E ponto extra para os trechos de mensagens de amor que abrem os capítulos.


Seus olhos ficaram cheios d'água ao ler essas últimas linhas. Não o ame. Por favor não o ame. 
p.99

- Se eu me permitisse amar você, isso me consumiria. Só existiria você. Eu viveria com medo de que você pudesse mudar de ideia. E, se isso acontecesse, eu morreria. 
p.153

- Você é uma puta - disse ele.
- Com você, eu fui - disse ela calmamente - Devo ter sido, porque certamente não fazia aquilo por amor. 
p.231



Algumas outras resenhas: Fundo falso (Thaís se decepcionou um pouco diante das expectativas), Juh do Livros e bolinhos também ficou encantada com a trama e os personagens. Gostei muito da resenha de Praticamente inofensivo discordando do fato que o livro não aborda casos extra conjugais da perspectiva promíscua, como eu disse acima, a escritora consegue trabalhar todos os lados da moeda que é a vida, amor e simplesmente traição. Juliana do Books journal teve uma visão mais semelhante a minha diante do contexto e objetivo do livro.

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