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26.5.14

[19x52] Coragem / [20x52] Ao redor


[19x52] Coragem

Coragem é algo que estamos o tempo todo desejando. Ela vem com a imagem do homem forte, padrão 'Hércules'. Cheio de músculos e destemido. Claro, ele também sabe a famosa frase sobre temer o medo.
Mas a coragem que precisamos diariamente não diz respeito a essa figura. Precisamos de uma colher de coragem, apenas aquela dose para os momentos em que fraquejamos diante de contar algo que fizemos de errado, de sair com uma roupa nova que é diferente do que costumamos usar, de dizer que o corte de cabelo da sua amiga ficou ruim, de pedir demissão e tentar um emprego novo, de terminar com a namorada que não ama mais, de iniciar um empréstimo.
Sim, algumas situações são mais difíceis que outras, mesmo que não seja enfrentar tubarões brancos com uma perna sangrando. Elas parecem um pouco com isso no momento, porém depois nos damos conta de que não era algo tão gigantesco, gigante era o temor que abalava nossa paz de espírito.

Essa semana eu enfrentei um receio pequeno, mas que enquanto eu realizava causava a mesma sensação que um rafting. Não pensei muito, apenas assumi e aceitei a situação necessária. E foi bom.
Por vezes enfrentar uma situação difícil é assim mesmo, não é necessária a coragem, apenas não pensarmos muito sobre o que estamos fazendo que ela assume o seu espaço dentro de nós.

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[20x52] Ao redor

Semana passada foi o momento de contar com as pessoas e agradecer a presença delas.
Eu sou o tipo de pessoa que procura resolver tudo sozinha, mas a verdade é que eu vivo precisando de ajuda. Graças a Deus sou rodeada de bons corações.
Minha mãe é o maior deles, mas não o único.
Esses bons corações são aqueles que se abrem para nos acolher diante das nossas necessidades. Dispendendo um tempo e suas energias em prol de ajudar-nos.
Essa ajuda pode ser sair de casa num dia exausto para te dar consolo, pode ser ir dormir mais tarde para te ajudar com um trabalho ou deixar de sair no fim de semana para cuidar do seu filho enquanto você vai ao supermercado.
Nenhum homem é uma ilha... bom, muitos homens podem ser, desde que se permitam ser abraçados pelas águas ao seu redor.



12.5.14

[18x52] Perder a fé?

Meu Deus!
Meu bom Deus!

Essas expressões deveriam resumir meu sentimento nessa semana. Novamente, não foi uma experiência pensada, ela foi inusitada. Fui atropelada por pensamentos de desesperança e falta de fé no mundo.
Não apenas porque eu estava triste e enfraquecida com minha própria dor, mas porque as notícias me fizeram recordar a leitura de Fios de prata -reconstruindo Sandman do Draccon, livro que havia lido na semana anterior.
Definitivamente algo inexplicável está acontecendo com as pessoas.
Tudo começou com a notícia sobre a morte de um antigo colega do colégio, ele foi morto por um amigo a facadas.  Houve também a pobre moça que morreu após linchamento. Durante a semana, almoçando fiquei sabendo do rapaz que matou a namorada aqui em Santa Catarina.

Quando nos vemos diante dessas manchetes que retratam um lado tão perverso da nossa espécie, que vemos tão pouco respeito ao bem mais especial. Bom, é de se perder a fé. Porque se isso é o que vemos vir da sociedade, como podemos esperar ter fé em outras coisas como: que tenha menos pessoas passando fome, que realmente haja uma preocupação com questões ambientais, dentre outras.

Fica difícil se manter forte e querendo mudar algo.

5.5.14

[15x52] Dançar a vida / [16x52] Jogar tudo pro alto / [17x52] .


Dançar a vida

Ensaiar até a mente cansar, e os músculos doerem. Ouvir a mesma música tantas vezes que seu corpo começa a divagar na possibilidades. Criar. Sorrir. Esmerar-se. Sentir. Chorar. Dançar pelo espaço. Dançar com os olhos e os cílios. Brilhar. Dar espaço para o outro brilhar. Ter o coração pulsando num ritmo que ninguém é capaz de ouvir, tocar as pessoas onde você não é capaz de imaginar.

Dançar para mim é vital. E como tudo que amamos, sempre passamos por momentos em que não damos o devido valor ao amado.
Eu danço, porque dançar para mim é tão importante quanto falar. É mais importante (e olha que eu falo muito), porque é quando eu posso explicar com todo o corpo o que nem sempre há palavras para dizer.

Depois de tantos meses pude voltar a dançar 'num palco'. E isso por si só, já era a grande experiência da minha semana. A vivência do dançar dentro de um círculo de mulheres que me apoiam a crescer.
Fui agraciada com um presente ainda maior. Recebi um carinho de "fãs". Um carinho gostoso da troca que só a dança permite. Aquela comunicação de um misto entre música e vivência, a expressão que alcança o outro. A mágica de ser compreendido e de encantar uma criança.
Uma criança que quer também dançar, porque diz com palavras 'que adorou, que você tava linda, e queria ser igual'. E com a dança, todos podem, porque cada um é único e há um universo de possibilidades.

Jogar tudo para o alto

Essa semana eu decidi ligar o f*.
Eu estava entrando de férias e sabia que precisava me desligar dos compromissos.
Infelizmente, minhas férias foram uma correria sem fim, num mar de ocupações que eu sequer consegui dar conta das ocupações que eu tinha previsto para essa semana.
Ainda assim eu consegui cumprir co o blog. Com algo que acima de tudo faço para mim, para meu prazer, para meu desabafo. Por que eu deveria então fazer dele um peso? Deixar de dormir para vir aqui escrever essas palavras.
Tive que me conter em alguns instantes. Eu lia algo e pensava no que escrever. E aí, considerava que há um ano inúmeras vezes eu não conseguia tempo para escrever essas ideias. E que depois ficava me punindo em pensamento pela falta de tempo e organização.
Só assim, eu conseguia novamente por tudo fora do meu alcance e me dar aquele sentimento quase de prazer, de quando "podemos nos esforçar para fazer algo, mas a gente dá as costas e curte outras coisas".

A gente precisa mais disso na vida. Parar de querer viver tudo, e não desfrutar porque vive com o sentimento de culpa por não estar vivendo o que perdeu. Deixa o que perdeu pra lá!


Dor

Jamais iria preparar essa experiência. Embora já viesse me preparando para o acontecimento, me preparando porque é inevitável e o medo é grande.
Já escrevi um pouco sobre a grande dor da perda. A dor que ninguém pode realmente compreender, embora muitos compartilhem de diferentes modos.

Eu não vou tornar a agarrá-la junto ao peito, tomar café da manhã com seu olhar aguardando um petisco. Não será mais ela a lamber minhas lágrimas e me mostrar com o calor do corpo e a expressão dos olhos que uma alma pode habitar dois corpos, um primata e um canino. Que você pode encontrar alguém que já se foi na presença que novamente se tornou ausência.

É uma dor tamanha e uma experiência única. Porque eu não tenho como passar por isso outra vez.
O mais próximo do que acontece dentro de mim, é o que vejo nos olhos da minha cadelinha Bianca. É uma tristeza tão profunda no olhar dela, que me sinto ainda mais quebrada. Quero fazê-la entender que tudo está bem, mas nós sabemos que não está. Estamos com uma parte de nós faltando, mas seguiremos. Porque viver e amar, é doar-se para as alegrias e para a dor.

7.4.14

[14x52] Il Caffè Sospeso


Algo que eu tinha desejo de fazer ao longo desse ano era aderir ao sistema que paga uma refeição/café/etc para a próxima pessoa.
Acho um gesto tão simpático. Havia decidido que faria isso na semana passada e com o atraso da minha leitura de Desculpa se eu te chamo de amor tive oportunidade de descobrir que a prática surgiu lá em Nápoles. E Niki adere no livro ao ouvir a história de Alessandro.

Para quem desconhece o "sospeso" era o café (ou qualquer outra coisa) que alguém paga sem consumir, para ser dado a próxima pessoa que fizer o pedido. É um presente que você dá sem saber se vai ser dado, para alguém que você não sabe quem é.
Niki discute com Alessandro a questão da confiança no estabelecimento.

O mais bonito para mim é justamente isso, uma confiança. A confiança na boa ação.

Muitas vezes nos eximimos de tomar um posicionamento ou realizar uma ação nos justificando nos outros. "Ahh... não vou fazer isso porque ciclano faz aquilo lá.", "Eu ajo assim porque no fim o governo faz assado mesmo".
Ou seja, a ação está feita pela ação. Você paga o sospeso porque quer e com a intenção de dar. Você pratica a crença nas pessoas e dá responsabilidades a elas. É muito bonito.

Quando eu me propus a fazê-lo, a atendente custou a entender o que eu pretendia. Eu fui embora ainda sob o olhar dela e a cara de "essa moça é completamente sem noção". Mas e daí?

Para fechar, falando sobre a confiança e a boa vontade em tempos que a gente custa a acreditar, quero compartilhar o relato de uma conhecida com o qual me deparei no fim da semana. Apenas retirei os nomes citados para preservar as identidades.

"Há 4 meses atrás fui roubada num trem noturno entre Veneza e Munique, a caminho do Brasil. Apesar das horas que passei no consulado sem comer, fui despachada com um passaporte provisório apenas no dia seguinte. Um mês depois disso a embaixada brasileira me avisa que minha bolsa foi encontrada, mas que eles não poderiam envia-la por questões legais. Escrevi uma msg no Face perguntando se alguém estava por lá e\ou se poderia me ajudar. Resultado, uma série de pessoas ofereceram ajuda...mas o que aconteceu foi inusitado. Meu amigo SB. escreveu para um amigo dele e que hoje é meu amigo tbm, SBP., que mora em Berlin. Ele por sua vez escreveu para um outro amigo que estava indo para Munique pedindo se ele poderia pegar a bolsa na embaixada. Depois de uma série de procedimentos para que a embaixada liberasse a bolsa, finalmente ela foi entregue a alguém que eu não sei nem o nome. Esta pessoa levou a bolsa em mãos ao  SBP. que não conheço pessoalmente e nem ele nunca me viu. Devido ao alto custo de envio de objetos,  SBP. delicadamente arrumou um outro amigo que trabalha nos correios (que eu tbm não faço ideia de quem seja) e que despachou os documentos para o Brasil. Isso tudo aconteceu no prazo de 10 dias e eu não tive custo nenhum em todo o processo: entre encontrar a bolsa e despachar os documentos. Finalmente hoje recebi o recado de minha mãe dizendo que os documentos chegaram....a bolsa ainda está com o  SBP. que um dia vai me entregar em mãos para que assim eu possa pagar umas cervejas pra ele e darmos boas risadas do fato depois do abraço de agradecimento. Moral da história: CONFIA!!! Tem muita gente de bom coração neste mundo. Muito agradecida o movimento geral, SB.,  SBP. e todos os amigos envolvidos, o meu enorme carinho, agradecida demais!!!!"


31.3.14

[13x52] Minha vida por um doce


Semana passada como eu comuniquei, minha tarefa da vez foi ficar três míseros dias sem comer doce. Por doce entendam sobremesas, bala, guloseimas contendo açúcares e gorduras.
Obviamente não incluem qualquer alimento doce ou com açúcar como um biscoito de mai zena, bolo integral, iogurte.

Já quase fracassei no primeiro dia. Eu sofri durante a manhã e recebi uma visita surpresa do Diego no trabalho, que me trouxe um travesseirinho de damasco. Jura que eu ia resistir a um doce português dado com amor?
Nem esperei o almoço!

Aí eu tive que recomeçar tudo no dia seguinte (quarta-feira). E deu certo!

Talvez não faça sentido essa minha proposta. Afinal, pode parecer ridiculamente fácil para alguns e um tanto sem razão e estúpida para outros.
Eu queria uma motivação para conhecer meu auto-controle. Quem me conhece sabe que eu acho força de vontade algo que todos somos capazes de ter. Com mais ou menos dificuldades para resistência. E tentação alimentar para mim é uma das resistências mais difíceis, embora eu tenha superado-a quando parei de comer frutos do mar há dez anos atrás.
Quis ter certeza de que ainda conseguia, mesmo que fosse por um curto período (poderia ser uma semana, mas ia exigir mais de mim e de recusar algumas confraternizações). E eu escolhi o que mais me afetaria, não apenas pela tentação, mas pelo meu humor. Eu realmente preciso de um doce todos os dias após o almoço. Eu tentei superar nessa semana esse anseio com frutas secas, mas juro que não era a mesma coisa.
Eu fico extremamente mal-humorada sem aquela dose pequenininha de prazer no cérebro.
E deu certo, mesmo com o mal-humor.

Esse é o meu exemplo de que tudo é uma questão de hábito, foco e determinação.
O que mais me cansa ouvir é gente dizendo que "até gostaria de não comer carne, mas que não consegue". Consegue sim meu filho. Se você quer, você pode. Se você não quer, não me venha com papo furado.
Veja bem, eu não estou com essa conversa tentando obrigar ninguém a ter meus hábitos alimentares ou a ter uma vida de privações e sofrimentos, se testando o tempo todo. Só que acho muito importante uma vez ou outra a gente tetar nosso auto-controle e força de vontade.
Faz com que nos sintamos poderosos e capazes de tudo.

Você já tentou?

24.3.14

[12x52] Frustrar-se e aceitar

Há algumas semanas atrás eu escrevi sobre frustração, mas também sobre dizer não. Eu estava revoltada e falando sobre a necessidade de exercitar mais o "dizer não".
Hoje eu venho falar de uma experiência quase oposta, se desse para dar opostos nesse caso. Quero falar sobre frustrar-se, as coisas saírem diferente do que se espera e você aceitar.

Você aceitar não apenas por conformidade para não se estressar, você aceitar porque "ok, eu posso fazer algo melhor", porque "ok, não há nada mais que eu poderia fazer".

Como eu já falei até na primeira postagem dessas experiências, eu sou de me irritar facilmente, ficar ansiosa e nervosa quando as coisas não saem como eu espero. Ou como, no caso citado no primeiro parágrafo, eu não consigo dizer não e faça todo o possível para as coisas saírem como deveriam sair. E fico frustrada.

Só que nem sempre a gente pode fazer alguma coisa. Na verdade, nem sempre fazer alguma coisa a respeito vai mudar algo a respeito ou fazer você se sentir melhor.
Ao contrário, você simplesmente aceitar o ocorrido, não lutar contra ele e se adaptar a nova situação pode lhe deixar ainda melhor e mais tranquila,

Semana passada foi muito difícil. De dona de casa, acordando de madrugada e indo dormir tarde, caiu uma árvore no carro da minha tia, fiquei doente, perdi o pagamento da matrícula do francês, esqueci a chave de casa no apartamento e tive que voltar no horário de pico para buscar, a apresentação não saiu como esperado... Enfim, poderia listar muitas coisas. E a que eu mais lamentei e perdi meu tempo foi o pagamento do boleto do francês e... paciência (quase! haha). 
Notei que inclusive com paciência, eu consegui solicitar ajuda, exercitar o pedir e me permitir ser ajudada. Busquei soluções (sem lamuriar e esmurrar o imutável), mudei os planos.

Fiquei tão bem que foi perceptível para muitas pessoas. 
Será que consigo manter?

Semana que vem estou tentando algo que para mim será um sacrifício: 3 dias sem doce. 

17.3.14

[11x52] Surpreender-se e se encontrar

Foto: Laise Orsi Becker. Gralha-azul na Fazenda da Ressacada UFSC

Essa semana aconteceu algo bem inesperado no trabalho. Embora visitas de fauna (em especial aves) sejam comuns por aqui, ainda assim a gente recebe um presente vez ou outra.
Estávamos durante um procedimento e eu olho pela janela dando uma divagada sobre a árvore repleta de rolinhas, quando a minha colega exclama:

"Olha as gralhas ali!"

Eu me viro e vejo que na grade próxima a janela estão empoleiradas quatro gralhas-azuis. E a nossa admiração veio quando uma delas saltou pro chão atrás de uma presa.

"É uma perereca! Estão caçando a perereca!" - falou o outro colega - "Corre para filmar, Laise."

Saio eu desesperada, tirando luva e buscando meu celular com sua câmera medíocre. Eu estava com a pulsação acelerada, em euforia de empolgação. O mesmo sentimento que eu identifico tantas vezes e que me motivou a escolher essa profissão. A admiração pela vida, suas manifestações, sua beleza e crueldade.

Estou lá tentando filmar as quatro gralhas que se afastam investindo e bicando a pobre perereca (enorme!) que tenta se safar inutilmente. E surge mais um drama, vem surgindo das árvores do mangue três aracuãs interessadas na caça.
Nunca achei as aracuãs tão parecidas com galinhas, com sua passadinha despretensiosa, se aproximando. Imponentes com suas caudas e seu tamanho.
Se eu não estivesse fechada na sala, eu poderia dizer que todos os outros pássaros fizeram silêncio nesse momento, curiosos com o desfecho. Eu via alguns passarinhos empoleirados virados para a cena. Poderia dirigi-los.
Uma das aracuãs se afasta de seu grupo e se aproxima da "praça de alimentação". E a gralha "chefe" demonstra porque gralhas e corvos são considerados tão inteligentes dentre as aves. Ela põe a aracuã e suas colegas para correr, investe brigando, defendendo sua conquistada refeição. Só permite que as colegas do bando comam depois dela.

Tento me concentrar novamente no que estamos fazendo. Mas de tempos em tempos meu olhar gruda novamente na janela, a bióloga em mim está em polvorosa. Ninguém mais lembra da perereca, ou do que restou dela, porém a gralha "chefe" e a aracuã corajosa continuam se enfrentando. Ela voam e pousam em diferentes lugares. As demais gralhas já estão empoleiradas no muro assistindo. As outras duas aracuãs já estão prestes a abandonar a goiabeira ao lado da minha janela, para onde partiram assim que souberam que não conseguiriam a perereca.
As duas porém brigam e persistem. 
Eu estou quase largando tudo e grudando na janela, meus colegas me chamam de vez em quando porque fico desatenta. Balbucio o que continua acontecendo.

Nem vi as rolinhas desaparecerem quando as brigonas dominaram a árvore que antes ocupavam.
Fui embora a tarde e ainda pensava na cena ocorrida de manhã. Ainda penso. E penso no ânimo e na empolgação que aquela surpresa matutina me despertou. Como essa veia "naturalista" não me abandona e continua me causando o mesmo frisson. É inerente a pessoa que sou.

Só me resta rir das saracuras que chegam na hora do almoço, no terreno que todas as aves abandonaram há uma hora. Perderam um show! 

11.3.14

[10x52] Aprender a pedir

Meu bizarro pedido de tirar uma foto com pessoas estranhas que andam pela rua achando que estão na Terra Média

'Pidixona!' Tem muita gente que iria me atribuir essa característica, e bem, a verdade é que estou trabalhando na terapia exatamente "saber pedir".
Essa semana eu não exatamente pratiquei isso, mas eu me peguei pensando profundamente sobre no sábado.
É que o Diego decidiu, em comemoração ao dia da mulher, me deixar decidir tudo que faríamos naquele dia. E a verdade é que, mesmo tendo sido muito romântico, não foi exatamente isso que aconteceu.
Ele quis ir comer sushi e já havia "decidido" isso sem me questionar, e na hora de ir embora do baile, tivemos que negociar. Só que isso não é uma reclamação. É justamente uma reflexão.

Afinal, pedir parece ser muito simples, muito fácil. Não é, porque pedir pode significar exprimir um desejo e querer que ele seja atendido. Lidar com a negação do seu pedido é muito complicado, ao menos para mim. Faz com que a gente tema fazer novos pedidos, faz com eu suprima minhas vontades e gere frustrações internas, que em determinado momento escapam.E aí as comportas se abrem com força, mas não acabam com a frustração.

E eu me dei conta de que pedir também significa negociar e ceder, estar aberta a aceitar. Trabalhar isso internamente, não só na conformação (que é o que acabo fazendo). Não, não é se conformar, é também sentir realização e compreensão pelo outro, para poder conquistar confiança nos próprios pedidos.

10.3.14

[9x52] Eu e eu mesma

OBSERVAÇÃO: essa postagem está atrasada uma semana por conta de eu estar sem computador. Eu só pude prepará-la virtualmente essa semana. Assim, haverá duplo projeto 52 semanas nessa.



O que eu havia me proposto para essa semana, eu já havia tentado cumprir outras vezes. Só que não deu certo.
Eu queria fazer algo sozinha, mas não qualqer algo. Afinal eu curto ir ao cinema só, ou ao teatro. Não ligo de ir caminhar ou "fazer compras", às vezes até prefiro. É meu momento de ficar comigo, mas não tão introspectiva, de dar a cara ao mundo, só que na minha própria companhia. Só saio perdendo quando não tenho para quem perguntar após o filme se estou toda borrada (mas a verdade é que em 99,9% das vezes eu estou borrada de chorar, então já sei a resposta).

Eu queria sair sozinha, de noite. Mais que qualquer coisa para enfrentar esse receio. Afinal, os homens saem sozinhos e não há problemas, nós mulheres passamos aperto.
Lembro de quando morava na Argentina e combinamos de ir a uma balada que era próxima da minha faculdade. O resultado foi que eu cheguei antes e fiquei lá num nervoso danado, quase tendo um troço internamente.
Quis repetir a experiência e, obviamente, precisava escolher uma situação que houvesse propensão em ser mais favorável: ir ao baile de dança de salão da escola. E eu ainda recebi uma ajudinha de última hora, fui acompanhada da minha tia e namorado.

Como eu coloquei acima, foi um desafio pensado, porque não é qualquer ambiente que eu conseguiria um mínimo de segurança para sair de casa. Para ir lá já desisti algumas vezes. Dá uma vergonha danada ficar sem ninguém para conversar (a princípio) ou um receio de sempre ser mal-interpretada.
Mas não foi assim, eu até tentei evitar ficar muito tempo junto com minha tia (e foi tranquilo porque ela ficou a maior parte do tempo dançando). Assim pude sentar e bater papo com outras meninas (sim, eu até puxei assunto), fui capaz de aumentar minha confiança.

E você talvez esteja se perguntando meu objetivo nisso tudo. Eu já tenho quase um marido, tenho amigos, não é tão divertido assim sair ser companhia... para quê?
A razão é de mostrar a mim mesma que é uma delícia poder fazer tudo isso compartilhando o momento com quem você gosta, mas que isso não precisa ser um limitante. Para nada. Que encontrar disposição e segurança para frequentar o lugar que for na sua própria e única companhia não precisa ser um problema, uma limitação.
Eu que adoro viajar sozinha, imagina ter que depender sempre de conhecer alguém o suficiente para se empolgar de ir num local que você quer ir muito? Era uma barreira que eu queria enfrentar, enfrentei e gostei.

24.2.14

[8x52] Il dolce far niente


Vivemos num mundo acelerado em que cada vez mais falamos da preguiça. As redes sociais estão repletas de imagens e textos sobre os feriados, a sexta-feira, o terror da segunda-feira, preguiça.

Quanto disso é um reflexo da abstinência ao descanso que tanto precisamos.
Vejo os meus fins de semana em que eu faço uma longa programação para dar conta de tudo que preciso fazer e que não é possível durante a semana. Isso inclui o lazer.
A verdade é que meu corpo e minha mente estão num nível de esgotamento que nunca consegui cumprir todas as atividades. E eu me sinto pior.

Esse fim de semana novamente eu programei as atividades que eu tinha necessidade de fazer, só que eu estava tão cansada por duas semanas dormindo tão pouco, que eu sabia que minha manhã seria recompensando o sono.
Só que mesmo dormindo muito, não foi o suficiente. E eu decidi que tudo que eu mais precisava era de uma fim de semana de folga de praticamente tudo. Fiz só o que era muito urgente e fiquei "lagarteando".

O bom foi que até consegui criar ânimo para ver um filme que estava lá em casa e que eu queria muito ver. Só que eu deixava ele de lado porque quando havia tempo, eu sabia que não conseguiria assistir pela desanimação.

Há aquelas horas com uma certa frustração e culpa de estar "desperdiçando tempo" com organização e lazer. E não estou dizendo que é possível fazer isso todas as semanas, mas notei que o pouco que eu fiz esse fim de semana foi um pouco menos do que eu teria feito se não tivesse me dado folga. Pelo simples fato de que a preguiça não deixava eu concluir o planejado.
Sendo assim, a gente precisa sim de uns momentos para aproveitar a doçura de não fazer nada para recarregar as energias e viver. Afinal a vida não é só correr cada segundo vivido.

17.2.14

[7x52] Presentear


Uma das coisas que mais gosto de fazer é presentear as pessoas. Mesmo porque eu também gosto de receber presentes.
Presentear vai muito além de entregar um presente a alguém e, em minha opinião, independe do valor material do presente.
Um bom presente é aquele que nos motiva pela pessoa que vai recebê-lo. Significa que ela nos é importante, que é um momento especial, que você quer demonstrar com o presente o carinho que sente por ela.

É no momento de escolher o presente que passamos a dedicar um tempo para pensar naquele alguém. O que ele precisa? O que ele gosta? Como posso surpreendê-lo? O verdadeiro presente procura alcançar essas metas. Necessita de atenção.

Esse tipo de presente é diferente do "puro consumismo". Da movimentação do capitalismo. Ele pode ser um carro novo, um par de meias, um perfume Channel, um bombom Serenata de amor, um postal de uma viagem, um telefonema, um almoço, um beijo. Ele, como eu disse antes, é independente do valor material. Ele pode ser caro ou não ter custado centavo algum, é o gesto de presentear que torna tudo majestoso.

Essa semana fui fazer compras com minha mãe. Quis que ela escolhesse um par de sapatos como presente de aniversário.
O verdadeiro presente, no entanto, foi a nossa tarde juntas. Compartilhar com ela as conversas, ver seu sorriso no rosto, curtir aquele momento de provas.
A verdade é que quando a gente presenteia alguém, se você souber prestar atenção quem mais ganha é sempre quem dá.
Pode não ser altruísta, mas é um dos egoísmos mais deliciosos de compartilhar. Sim, de compartilhar.  

10.2.14

[6x52] Envolver com braços



Eu já falei outras vezes aqui sobre o abraço. Sobre quanto me encanta envolver ou ser envolvida por braços. O quanto esse gesto conforta, transmite palavras, abre caminhos.
Abraçar parece fácil, mas nem sempre é. O abraço verdadeiro é uma troca, o difícil é às vezes nos sentirmos abertos o bastante para sermos abraçados.
Todos os dias somos ensinados e condicionados a sermos fortes, lutarmos, vencermos a vida. São poucos os momentos em que somos incitados a nos fragilizarmos, em despirmos nossas armaduras para pedir a proteção de um abraço.

Pedir um abraço é necessário. Tão importante quando comer. Significa "diminuir-se" em um dado momento, dizer ao outro alguém que nós não somos autossuficientes, que o calor de outro é reconfortante, que você precisa de algo.
Ser abraçado é abrir um espaço para dividir os sentimentos, seja diminuir a dor, seja doar amor.
Querer ser abraçado é querer ser querido.

Abraçar é bom. É aceitar o outro. É querer dar. É confortar. É proteger.

O abraço é a terapia que permite que nós ocupemos os dois lugares, o que abraça e o que é abraçado.

Essa semana eu pude ocupar os dois espaços em momentos distintos, momentos que marcaram fortemente esses dois papéis. E eu lhes pergunto, quanto vocês praticam esse exercício? O de verdadeiramente abraçar.


3.2.14

[5x52] Frustrar-se e dizer não


 Essa semana foi difícil vir escrever sobre esse assunto.

Acontece que para essa semana eu havia me preparado com outro tema, mas eu não consegui concluir. E se eu não realizei a experiência, não posso falar sobre ela. E me frustro.
A frustração não vem apenas de não cumprir o previsto, de não realizar a ação em si. A frustração vem de mim mesma, de uma culpa íntima e estúpida que não deveria estar aqui dentro de mim.
A história é que eu venho com o passar dos anos me policiando na “arte de dizer não”. É uma arte muito complicada para aqueles que, como eu, são aficionados em arranjar tarefas a cumprir. A gente quer fazer tudo. Se não quer fazer tudo, ao menos quer resolver tudo. Quer vestir a roupa de super-herói e brigar com o tempo.
Você reconhece essas pessoas facilmente, pelo jeito abatido e cansado, pelo discurso que oscila entre reclamão e otimista, pelas broncas sobre organização. E é claro, elas nem sempre fazem tudo bem, mas incrivelmente conseguem admiradores que acreditam que elas são capazes de fazer tudo (ou muito).
Não se engane! E se você é uma dessas pessoas, pare de enganar a si mesmo.
Eu sei, porque sou uma dessas.

Mas há tempos eu decidi mudar isso para “eu era uma dessas”. Só que perco o controle de vez em quando, ainda.

Semana passada, nas correrias da vida, precisava marcar com o grupo um ensaio para a filmagem de uma coreografia. Não somos profissionais da dança, então precisamos encontrar um caminho no cotidiano, em nossa vida de mulher-filha-mãe-companheira-trabalhadora-estudante, e um lugar para nos encontrarmos. Nem sempre o momento é o mesmo para todas. E o momento não foi para mim pelo destino.
Era um dia em que eu havia dito que não podia. Mas, quando vi o e-mail pela manhã devo ter visto reluzir o uniforme de super-heroína dobrado ao lado das calcinhas. Só pode. E eu decidi que aquele era o dia para uma emoção e usar o uniforme novamente.
Pode ter sido que o destino decidiu testar minhas convicções e ficou rindo da minha cara no final da noite, ou talvez eu tenha estado fora de forma para meus superpoderes. A fatalidade é que eu fiz tudo que estava ao meu alcance para estar por míseros minutos naquele ensaio, e que eu não contei com minha própria falta de astúcia. Eu decidi que poderia suar meus superpoderes de força e empurrar a porta de vidro trancada. Acontece que minha força não foi suficiente para abri-la, mas suficiente para não me permitir frear e não me chocar de cara nela.

Ai!

E o que aconteceu, Lili?
Eu ao consegui ensaiar direito, porque meu rosto latejava e fiquei enjoada. Eu me atrapalhei com os compromissos. Tive que desistir de cumprir minha experiência da semana. Passei e estou passando os dias com um lindo corte no nariz, dor e roxos. Estou com dor na alma, e brava comigo mesma. Brava comigo mesma por uma culpa que não é minha (e também é). Brava comigo pela fatalidade, quando eu deveria estar brava por não ter vestido o uniforme e ter aceitado que eu não poderia ir.
Que você não deve exigir mais do que pode, que dizer não é importante, que é preciso escolher quando as opções são simultâneas.
E aqui estou, hoje escrevendo sobre frustrar-me na tentativa de reforçar em mim mesma a necessidade e importância de também dizer não. Porque dizer não significa colocar limites. E nem todos os limites são ruins.

27.1.14

[4x52] Novos sabores

Foto retirada daqui 

Duas coisas que eu quero fazer ainda esse ano é provar uma comida e um drink que eu há tempos tenha desejado.
Essa semana que passou eu fui de paladar 'empratado' mesmo, e não era exatamente algo muito novo, então talvez eu deva reconsiderar repetir essa experiência.

O prato da vez foi salmão ao molho de maracujá, e eu considerava experimentar esse molho e o de amora só que com algum peixe branco, porque acreditava que o sabor forte de salmão iria chocar com o sabor da fruta.
E mesmo tendo achado gostoso, minha opinião se fortaleceu e não é um prato que eu pediria novamente (mas comeria sem problema algum).

Ok, mas eu estou escrevendo sobre experiências, não sobre culinária. Por que eu considero interessante testar novos sabores?
Porque a gente a se abre para o novo, para novas combinações, a gente se permite. 
Quem me conhece já ouviu inúmeras vezes a minha defesa de que provar algo uma vez não significa desgostar daquilo para sempre. Porque os gostos mudam com o passar dos anos, porque nem todo mundo cozinha do mesmo jeito e porque um determinado alimento pode ser gostoso ou não dependendo do prato.
Eu particularmente não gosto de abóbora cozida para comer como acompanhamento. Em compensação me convida para uma sopa de abóbora, para me intoxicar com doce de abóbora (de qualquer tipo) e se for purê eu levantarei a mão para defender o de abóbora.
Minha amiga Raquel não gostava de beringela a parmeggiana até comer a da minha mãe lá em casa e ficar fã.

Experimentar um novo prato é uma maneira de experimentar a vida e de se abrir em outros aspectos para as experiências. É abandonar preconceitos, dar uma chance, aprender a ouvir e aceitar a opinião do outro, parar de enganar a si mesmo (como dizer que não gosta de jaca sem ter comido ou de cebola, mas como sem saber).

E vocês já consideraram tudo isso ao se permitir ao diferente ou novo? Em especial aquilo que temos algum tipo de aversão?
Contem-me!

20.1.14

[3x52] Retornar a um lugar especial


Semana passada foi a vez de tirar a preguiça de lado e voltar a um lugar que eu gosto e há muito tempo já não ia.
O local que eu havia considerado foi a praia da Lagoinha do Leste, mas dependia do meu primo que veio passar uns dias comigo aceitar a caminhada, visto que o acesso ao local é feito apenas de barco ou por trilhas.
A bem da verdade, é que chegar a praia não era meu real objetivo, mas refazer a trilha. Estar novamente num ambiente que eu gosto tanto e numa caminhada que é tão especial para mim, só que eu não fazia há quase cinco anos.

Ao retornar a um local especial que há tempos não visitamos, nós vencemos a própria inércia das promessas vazias feitas a nós mesmos de que iremos quando houver tempo, quando as condições forem ideais, quando, quando, quando...
Ao vencermos essa inércia, permitimos um momento em que as memórias brinquem com nossos pensamentos e sentimentos, que possamos construir outras experiências para agregar ao 'álbum' de memórias daquele local.

Foi assim, que eu me peguei contando sobre o trecho em que eu caí sobre as bromélias porque estava distraída fazendo fofocas da faculdade, sobre a ida com minha turma do colégio e o sofrimento dos meninos ao carregarem o isopor de bebidas, sobre ter sido salva de uma queda perigosa ao ser segurada pela camiseta.
Essas foram poucas das memórias que borbulharam na minha cabeça enquanto eu dava as passadas debaixo do sol, permitindo que eu tivesse vontade de rir e de chorar. Querendo viver novamente aqueles momentos e em outros simplesmente ser a espectadora que eu era da minha mente.

Foi lá que eu fiz minha primeira trilha somente entre amigos, foi lá que eu contei pela primeira vez a alguém que eu gostava de quem hoje é meu noivo, foi lá que fui flagrada por uma filmagem estudando para a prova de química, foi lá que um amigo que já se foi pegou algumas ondas, foi lá que eu fui com minha mãe e compartilhei meus conhecimentos, foi lá que eu fui atrás de um sonho e perdi a sola do tênis, foi lá que eu me deliciei debaixo do sol com peixinhos beliscando as pernas, foi lá que eu compartilhei sanduíches e a leitura de um livro. Foi lá que tanto 'foi', e espero que seja lá que muitas coisas ainda sejam.


O que vocês sentem quando retornam a um local especial para vocês? Vocês fazem isso com frequência ou permitem que o dia a dia afastem vocês disso?

13.1.14

[2x52] Dividir momentos

Cena do espetáculo De Malas Prontas

Passou a segunda semana do ano e novamente eu estava imaginando falar sobre outro assunto essa semana. Mas tudo mudou na minha cabeça na noite de sábado.
Teríamos reunião do grupo de dança lá em casa no domingo de manhã e eu convidei as meninas para irem ao teatro comigo e dormirem lá em casa no sábado. Todo o convite foi feito em cima da curiosidade de conhecermos o novo teatro do sul da Ilha: O circo da Bilica. A razão de tê-las convidado nesse momento foi a peça que estava sendo apresentada, a qual já assiste inúmeras vezes.

Eu sou o tipo de pessoa que adora o prefixo "re". Eu releio, re-assisto, revejo, repenso... E possíveis brincadeiras a parte, eu passo longe de ser a pessoa que passa adiante um livro porque já leu. Eu compro livros que eu li e gostei muito, não apenas para enfeitar minhas estantes, é porque gosto de vivenciar a leitura novamente e até me permitir uma vivência diferente.
Sou daquelas que é mais comum me ver assistindo na programação da tv um filme que eu já vi mais de dez vezes, do que um inédito. Sempre paro no canal quando está passando Hook: a volta do capitão Gancho, Grande menina, pequena mulher, Forrest Gump ou outro desses favoritos.
Não foi diferente quando vi que estava passando uma peça que eu já quase decorei nos últimos anos. Eu quis revê-la.

A pergunta que não quis calar no meu cérebro foi: por quê?

Eu honestamente não consigo chegar a conclusão do quão prazeroso pode ser re-vivenciar as experiências, porque eu noto que elas se repetem, mas na verdade não se repetem. Eu sempre sinto algo novo. É como se eu fosse viciada em chocolate e cada dia alguém me trouxesse uma nova marca, só que continua sendo chocolate. Então acabo me entorpecendo com uma sensação nova, mas que eu já sei que deve ser bom.
Penso que deve ser isso. E algo mais. Esse algo mais foi o que eu senti no sábado.
O algo mais é a sensação e oportunidade de dividir o momento com quem você gosta.

Quando eu estava no teatro e ficava aguardando a risada das minhas amigas, já em outros momentos me pegava rindo surpreendentemente tanto quanto elas. Eu me sentia plena e feliz. Uma felicidade tão gostosa que não tinha apenas relação com estar na companhia delas, era em parte por estar compartilhando algo que gosto com elas.
Acho que é uma das melhores sensações quando você vê alguém gostar de algo que gosta, misturada com um pouquinho de orgulho por ter podido ser o elo entre o 'ser gostado' e a 'pessoa apresentada'.

Eu pergunto à vocês, que momentos especiais vocês dividiram com quem também é especial para vocês?

6.1.14

[1x52] Ignorar o pé esquerdo


Fim do ano passado eu fiquei meditando praticamente sobre a vida e sobre as mudanças que a gente se propõe em viradas de ano, ou quando algo ruim nos acontece e decidimos mudar.
Aí me perguntei quantas coisas eu desejaria fazer e experimentar, e quase considerei me desafiar mais. Fazer um projeto pessoal de tentar novos desafios. Foi quando percebi que muitas vezes eu acabo ignorando pequenas maravilhas de todos os dias.
É muito fácil a gente dar valor para um salto de para-quedas, e nem perceber aquele bom dia para o estranho na rua. 

Cheguei a conclusão de que para 2014 eu iria me propor a prestar mais atenção à vida todas as semanas, seja com o bom dia, seja pulando de para-quedas.

Eu tava pensando essa quinta-feira enquanto eu estava na moto com o Diego voltando para casa que meu dia 31 foi bem inusitado. Fui com a mãe tomar um banho de mar e um pouco depois que chegamos à praia começou a chover. Chover é um diminutivo carinhoso do temporal que caiu. Voltando para casa começou a cair pedras e eu passei a virada com dor de ouvido.
Só que tinha sido ainda em 2013 e eu estava considerando sabotar a primeira semana. Mas me dei conta daquele dia que eu estava vivendo.

Eu havia saído de casa para ir ao correio postar o livro da promoção, mas apesar de enfrentar o calor de 35 graus no sol das duas da tarde, eu cheguei lá e não consegui postar porque as coisas na Universidade ainda não estavam funcionando.
Voltei para casa no sol correndo porque o Diego estava indo me buscar para irmos à praia. Só que quando saímos, o sol já estava ficando tímido atrás das nuvens. Sequer teve consideração pelas muitas pessoas que estavam paradas na fila esperando para se bronzear na areia.
Mesmo de moto custamos a chegar e depois de quase três anos sem ir à Joaquina, eu me certifiquei que não dá mesmo para me privar da minha semi-privacidade na praia de casa, para ir lá disputar um quadrado de areia depois de pagar estacionamento e ficar ouvindo a música do farofão. 
O sol achou que se esconder não era o suficiente, então pediu para o vento ajudar um pouco e me deixar empanada para enfrentar a água gelada de lá.

Quando decidimos ir embora, eu quis comer pastel. Infelizmente sugeri irmos na casa do pastel, em que a atendente avisou que levaria de 30 a 45 minutos para sair o pedido (meu bom Deus, é pastel! É só rechear fechar e fritar! Tinha só umas 15 pessoas na nossa frente).
Resultado é que 1 hora depois, já tinha chovido, parado de chover, escurecido e o pastel não havia chegado. Quando finalmente chegou, as ervilhas que deveriam ter vindo no meu, devem ter feito um motim e abandonado sua capitã no barco-pastel, porque eu encontrei um único grão. Juro!

Mesmo agoniada, eu estava muito afim de ir tomar picolé de doce de leite (já que finalmente pareço estar abandonando o enjoo pós viver na Argentina). Quando eu cheguei no local, o rapaz estava atravessando a rua para ir comprar um Subway. Fiquei então esperando uns dez minutos, para descobrir que só havia de chocolate (não sou fã) e abacaxi. E nenhum me deixou com água na boca (visto que meu estômago estava explodindo).
Fomos embora sem picolé.

E aí, foi sentada na moto voltando para casa que eu estava tendo aquela conversa mental que narrei no início da postagem. Eu pensando na chuva de pedras. E algo cutucando meu cérebro para pedir atenção. E percebi que eu tinha passado um dia cheia de contratempos. E eu normalmente me irrito com eles (principalmente porque tenho prazer em reclamar).
Entretanto, eu estava feliz de estar ali na praia porque eu tinha ido trabalhar de manhã com chuva. Foi bem bom ficar conversando com o Diego apesar da areia. Quando eu fui tomar banho, a água não estava tão gelada quanto ele tinha dito, e fiquei triste de não poder molhar o cabelo para por o capacete porque eu não queria mais sair do mar. Eu sequer me importei muito com o atraso do pastel, não entendia, mas não me deixou brava. E eu fiquei inconformada de não ter comido o picolé, e feliz porque eu estava sendo gulosa.
Foi um dia que tinha tudo para me deixar com humor péssimo, ainda assim eu estava feliz. Sem motivos.

Era algo tão diferente do habitual que merecia essa consideração, de que precisamos muitas vezes esquecer o pé esquerdo. Que fazia sentido aquela frase que quando acordamos já sabemos se o dia vai ser bom, porque cabe grande parte a nós mesmos fazermos o dia bom.

Posso dizer que meu pé esquerdo continua me perseguindo*, e ainda não conseguiu espantar essa nuvem que me tem feito ignorá-lo.

Quem aí já aprendeu ou está aprendendo a ignorar "quando o mundo vira as costas para você" e não "virar as costas para o mundo"? 


* Na sexta eu saí da loja com um presente de vidro, caí na saída, me espatifei no chão, quebrei o presente e pifou a chave do carro. Ainda sim, eu continuei de bom humor. Tenho esperanças que possa ser permanente esse vírus.
 
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