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23.12.13

Os Scrooges de Dickens e seus admiradores






Título: Um conto de Natal
Título original: A Christmas Carol
Autor(a): Charles Dickens
País: Inglaterra
Ano publicação original: 1843
Editora: L&PM
Páginas: 146






(4/5)

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Em novembro foi a vez de saciar minha curiosidade de conhecer esse clássico do Dickens que tanto inspirou o mundo.

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Breve sinopse

Ebenezer Scrooge, um avarento homem de negócios londrino, rabugento e solitário, que não demonstra um pingo de bons sentimentos e compaixão para com os outros. Scrooge não suporta todo o sentimento que o Natal mobiliza. No anoitecer frio da véspera natalina, ele é visitado pelo fantasma de seu falecido sócio que anuncia a vinda de três espectros do seu próprio passado, presente e futuro...

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Que delícia é ler um livro do Dickens! Sou suspeita porque gosto bastante dele, a gente até esquece que é um clássico.
E esse conto, todo mundo já ouviu falar, ou ao menos conhece um célebre personagem inspirado em seu protagonista: o nosso sovina Tio Patinhas.

Temos a história de um velho senhor que vive para seu rico dinheirinho, tão rico que ele sequer gasta com prazeres ou luxos. E o conhecemos justamente numa data que ele parece tanto detestar: o Natal. Scrooge não consegue deixar escondida sua raiva com uma data em que todos decidem ser bons e desperdiçar dinheiro.

Mesmo com as tentativas do sobrinho de se aproximar, Scrooge quer apenas continuar seus dias sozinho e poupando.
Até a visita de seu falecido sócio, que era muito semelhante a ele, mas que parece muito arrependido depois da sua morte. Ele anuncia a vinda de três fantasmas. E esses três fantasmas passeiam com Scrooge pelo passado, presente e futuro, nos levando a conhecer e compreender um pouco esse velho avarento.

Extremamente clichê, mas ainda assim bonita e que condiz com os sentimentos da data.
Esse conto inspirou dois filmes recentes  que vocês já devem ter conferido ou ouvido falar.


Os Fantasmas de Scrooge (2009)
O Natal se aproxima e, como sempre, Ebenezer Scrooge (Jim Carrey) mantém seu desprezo pela data. Milionário e muito mesquinho, ele só pensa em dinheiro e não dá espaço para a emoção em seu coração, maltratando Bob Cratchit (Gary Oldman), seu fiel assistente, e ignorando seu sobrinho Fred (Colin Firth). Com a morte de seu sócio, Ebenezer recebe a visita de três fantasmas do Natal: do passado, do presente e do futuro. Cada um deles, levará o velho ranzinza para uma viagem que o ajudará a refletir melhor sobre sua vida passada e a escolha que fará para o futuro.

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Aqui temos uma versão em animação que é basicamente a história original. Quem interpreta Scrooge é Jim Carey. Essa versão está muito legal!




Minhas adoráveis ex-namoradas (2009)
Connor Mead (Matthew McConaughey) é um fotógrafo de celebridades que coleciona ex-namoradas. Acreditando que a vida serve apenas para se divertir e namorar, Connor não entende como alguém pode ter um relacionamento duradouro. Quando seu irmão Paul (Breckin Meyer) se casa ele reencontra Jenny Perotti (Jennifer Garner), a única mulher pela qual realmente se envolveu. À noite ele recebe a visita do tio Wayne (Michael Douglas), um playboy dos anos 70, que lhe diz que receberá a visita dos fantasmas de três ex-namoradas. Através delas Connor percebe as falhas de seus relacionamentos anteriores.

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Nessa outra versão temos o mesmo sentimento, só que dessa vez nada a ver com o dinheiro ou com o natal em si. O protagonista é alguém que tem dificuldade em amar alguém e se relacionar desse modo com outra pessoa.
Uma comédia romântica engraçadinha de sessão da tarde.


E aí, vocês já leram ou assistiram?
Aproveito para desejar a vocês todo carinho, amor e paz para esse Natal. Para expulsarmos esses Scrooges do mundo e podermos esperar um mundo melhor.


13.5.12

3 sugestões: dia das mães

Faz um certo tempo que venho pensando nessa tag, e apesar de estar com a resenha dessa semana em super atraso (a correria aumentou por conta da apresentação do grupo de dança), eu finalmente decidi por a idéia em prática.
São 3 sugestões semanais de algo: filmes, livros, lugares, comidas, etc etc etc.

Em homenagem ao dia das mães, deixo a dica de 2 filmes e 1 livro que, para mim, retratam toda a beleza e a dor de um amor de mãe. Um amor que é maior que tudo que existe.

Aproveito para deixar o meu agradecimento e carinho as minhas três mães: minha mãe, minha tia e minha nonna (já falecida). As três mulheres que se doaram incondicionalmente para mim. O meu muito obrigada e minha homenagem.

E um lindo restinho de domingo a todas as outras mães, mães-pais, mães-tias, mães-avós, mães-adotivas, mães-amigas, mães-drastas...


9.3.12

[Resenha] Pride and Prejudice: orgulho e nenhum preconceito

Como comentei antes, em homenagem ao mês das mulheres (já aumentei para mês o dia), irei falar um pouco da obra de Jane Austen, minha escritora preferida e grande conhecedora do universo e emoções femininos.
O primeiro da vez é "Orgulho e Preconceito", acredito que sua obra mais famosa, meu primeiro livro dela e o que eu mais gostei.



Confesso que apesar de muito ouvir falar sobre Austen, vim a ler o livro quando fui ao cinema com meu pai e vimos o trailer da versão cinematográfica que trazia Keira Knightley como a protagonista Elizabeth Bennet. Meu pai começou a falar superbem do livro e me emprestou quando voltamos para casa.
Os três dias seguintes foram suficientes para uma paixão consolidada. E claro, a convicção de que Colin Firth seria eternamente o melhor candidato a Mr. Darcy (mesmo sem ter visto a versão da BBC em que ele atua, ou saber disso na época). Compreendia como ele havia se encaixado tão bem no papel de Mark Darcy para Bridget Jones, o papel era perfeito para ele.



 Sim, pois sevocê não sabe ou nunca se interesou em perceber, "O diário de Bridget Jones" é uma versão moderna inspirada no clássico em questão.

Voltando ao livro. "Orgulho e preconceito" trata da história da família Bennet e suas cinco jovens mulheres, mas principalmente da história de Elizabeth (ou Lizzie), a segunda filha mais velha.
Elizabeth e Jane, a primogênita, veem seu mundo se modificar com a chegada da família Bingley e seu amigo mr. Darcy.
Elizabeth lida com o aparente romance de Jane e o jovem Mr. Bingley, romance que parece não agradar ao amigo e à irmã do jovem aristocrata.
Diante de todo despeito e arrogância de Darcy, a história se desenrola com as tagarelices da senhora Bennet, os disparates da caçula Lydia Bennet, o charme e carisma de Mr. Wickham, o qual possui um desafeto com Mr. Darcy.

Assim, nos apaixonamos com Lizzie e Jane e também nos decepcionamos, rimos das investidas de seu primo Mr. Collins e nos emocionamos e admiramos com Mr. Darcy.
Um livro de séculos anteriores, sobre a sociedade da época, mas com todas as características de uma sociedade atual e uma dinâmica que afasta qualquer monotonia.
E Lizzie é um dos persanagens mais fantásticos que já conheci. 

Vale dizer que gostei tanto que me aventurei a ler em inglês e terminar a leitura.
Para quem, infelizmente, não se interessa ou se arrisca no livro, vale a pena conhecer a história através do filme ou da série da BBC.

Sobre as versões traduzidas eu indico a publicação poket da Saraiva (não li essa em especial, mas tenho a de Emma e é o texto original e bem traduzido) e a da Landmark versão bilíngue.


opiniões do goodreads, trabalho sobre ironia em Orgulho e Preconceito, Crítica Omelete sobre o filme


Saraiva: de R$12,90 a R$50,00
Submarino: de R$9,90 a R$12,90
Livraria Cultura: de R$14,90 a R$50,00

8.3.12

Jane Austen, a mulher que sabia falar de mulheres

Hoje, pensando na comemoração ao dia internacional da mulher, decidi que deveria falar sobre alguma mulher que considero importante em minha vida e que seja importante quando vinculada a mulher.
Sim, há muitas mulheres exemplos, desde aquelas com apelo emocional (como minha mãe, tia e avó) até grandes heroínas da história. E, eu optei por uma mulher que realmente entendia sobre nós mesmas: Jane Austen.
 
Jane Austen é uma escritora inglesa do século XVIII, e minha escritora preferida de todos os tempos. Ela nasceu em 16 de dezembro de 1775 e faleceu em 18 de julho de 1817, e toda sua vida morou em Hampshire, num pequeno círculo social.
Sua primeira obra “Lady Susan” foi escrita aos 17 anos. Orgulho e Preconceito (Pride and Prejudice, meu preferido) veio em seguida, mas somente foi publicado em 1813, após a publicação de Razão e Sensibilidade (Sense and Sensibility) em 1811.

Austen se tornou famosa e consagrada pela sua percepção psicológica do meio social, sua ironia sutil ao retratar a sociedade e suas “heroínas”, na minha concepção, sempre mulheres fortes para seu tempo mesmo que com seus defeitos de ingenuidade, imaturidade e outros.
Vemos em suas personagens mulheres que somos, mulheres que conhecemos, mesmo tendo sido retratadas há tantas décadas.
 
Decidi então escrever neste mês de março sobre suas obras, na ordem com que tomei contato com elas: Orgulho e Preconceito, Razão e Sensibilidade, Persuasão, A abadia de Northanger, Emma e, caso eu compre e consiga terminar de ler, Mansfield Park.



Sugestão: há um filme que retrata um pouco da vida de Jane Austen e um romance vivido por ela com Thomas Lefroy. O romance retratado parece ter sido a inspiração de Orgulho e Preconceito.
O filme entitulado Amor e Inocência traz Anne Hathaway como Jane e James McAvoy como Lefroy, e é bom.

1.3.12

[Resenha] Um dia

Há algum tempo eu comprei e devorei o livro Um dia de David Nicholls. Eu queria compartilhar logo algo aqui, mas o tempo foi passando e o post atrasando. Isso porque eu gostaria de falar de ambos juntos.


O roteiro do filme foi escrito pelo próprio autor, o que leva a uma semelhança quase total ao livro. A história que se inicia em 1988 na formatura de Emma e Dexter, se prolonga por mais 20 anos.
Após um encontro que parece não ter dado muito certo, Em e Dex, aparentemente tão diferentes, decidem ser amigos.
Cada capítulo do livro narra o dia 15 de julho do respectivo ano, data em que se inicia essa amizade. Onde estão morando, o que têm pensado, quais seus relacionamentos ou angústias. Ano após ano vemos o desenvolvimento de ambos e de seu relacionamento.

Emma, a jovem formada em Artes e Literatura que pretende mudar o mundo, mas não consegue sequer dar um rumo adequado a sua vida. 
Dexter, o menino rico que só planeja aproveitar todos os prazeres da vida. Ou não planeja coisa alguma.

Para mim a história que muito tem de previsível, também muito tem de encantamento. Acho que os sentimentos foram bem explorados, vivenciados e os personagens não poderiam ser mais reais. 
O que me encanta ainda mais é poder relembrar a minha vida, as imagens dos anos 90 e 2000. Suas modas, suas revoluções tecnológicas. Vejo minha vida ali na tela e nas páginas do livro.




Enquanto o livro parece ter encontrado espaço, o filme foi muito criticado. E eu, discordo. Gostei muito. Acho que foi fiel ao espírito da história e de seus personagens.


Gosto do comentário de Marta Barbosa para UOL "Mas "Um Dia" não é um livro sobre o amor. É um livro sobre o tempo. Dex e Em são exemplos de como o tempo pode ser amigo ou inimigo de uma pessoa."

Recomendo muitíssimo ambos! E termino com o comentário de Jonathan Coe:

                          "É difícil encontrar um romance que trate o passado recente com tanto 
conhecimento de causa. É ainda mais raro encontrar algum em que os protagonistas
sejam construídos com tanta solidez, com uma fidelidade tão dolorosa à vida real."



Trecho do livro
Colher cultural e Blog Estadão
Resenha em Viagem literária

Saraiva: R$ 23,80
Submarino: R$24,90

17.2.12

mais que um filme... arte e tudo que eu gosto

Ontem eu fui ao cinema assistir um dos filmes que andava aguardando a chegada.
Confesso que eu não gosto de ficar sabendo muito sobre o filme antes dele chegar aqui, mas me interesso sim em ir atrás de assistir algo que tem ganhado prêmios ou recebido indicações.


Foi assim que convidei meu namorado para me acompanhar para assistir O artista.
Assim que o filme começou com as cenas interpretadas por George Valentin (personagem de Jean Dujardin) na telona de um antigo cinema lotado e com orquestra, me manifestei "Como deveria ser maravilhoso ir ao cinema naquela época. Tão mágico ser guiada pelos sons da música ao invés da fala."

Eis que 10 minutos mais tarde meu namorado se manifesta: "O filme será todo assim?"

Bom, é claro que eu senti aquela agulhada de quando alguém critica algo que você está amando. Respondi com sinceridade "não sei".
Mas, agora posso dizer que o filme é praticamente todo assim, sim. Com esse gostinho de cinema mudo. E extraordinário.
 O resultado foi sairmos do cinema e ele se manifestar a favor do filme. 


 QUEM É ESSA GAROTA?

O filme narra a história do astro George Valentin e também a história do cinema.
Valentin é o grande astro do cinema-mudo (junto com seu cachorrinho maravilhoso) e ajuda Peppy Müller a começar sua carreira de atriz.
Peppy vai conquistando espaço e se torna um grande estrela quando surge uma reviravolta no mundo cinematográfico e a ruína de Valentin: o cinema falado.
Mais do que isso seria estragar toda a emoção de um filme que remete aos clássicos do século passado (e que eu não me canso de assistir e lamentar não ter vivido).

Só não posso deixar de comentar as duas coisas que mais gostei e não foram mencionadas: a cena logo após a apresentação do cinema falado a Valentin; e o Jack (Uggie), o cachorrinho que merecia um Oscar só pra ele. Sem comentários.



Ah.. tenho mais um comentário. Triste em admitir, mais uma vez levamos um tapa na cara dos nossos hermanos. Bérénice Bejo é mais uma argentina mostrando como os argentinos mandam bem na telona.
Brasil, eu adoro muitos dos nossos filmes, mas eu acho que a nossa diversidade e criatividade tem andado em passos muito lentos para sair daquela coisa "filme de pobreza e favela" pros outros países.

31.1.12

Consumo consciente: vai um peixinho, aí? (parte I)

 Algo sobre o qual eu tenho muito interesse em discutir, mesmo porque eu ouvi diversas vezes durante a faculdade, é sobre nosso poder de consumidor. Principalmente de consumidor alimentar (um real consumidor).
Durante a maior parte do meu curso eu fui vegetariana, e não faço o gênero de pessoa que busca convencer os outros, mas ainda assim compartilhei algumas coisas com minha família. Quando voltei a comer peixe no ano retrasado considerei ainda mais importante relembrar de algumas discussões do curso (aliás, comer apenas peixe e não camarão já é um reflexo de discussões do curso).

Calma, a intenção não é ser uma chata. Sim, eu sou. A intenção é fazer a reflexão sobre aquilo que consumimos ao ponto do esgotamento.

Um filme que trata disso e é muito interessante é o “The end of the line” (página oficial), que infelizmente ainda não apresenta versões em português. O documentário trata da pesca, mas principalmente sobre a pesca predatória que chega inclusive a levar toda uma próspera comunidade a falência pelo desaparecimento de espécies.

Geralmente é neste momento que as pessoas gostam de se eximir da culpa e colocá-la sobre os pescadores. Epa epa epa! Quem liga o dispositivo é quem põe o peixe na boca.
Por exemplo, eu que moro em Florianópolis, cidade litorânea que consome muito pescado. Posso me dirigir ao Mercado Público Municipal e encontrar muitas vezes peixes que não poderiam estar sendo pescados naquele momento porque estão protegidos para desova. (Congelados? Aham... vai ver se todos são congelados!)

Poxa, mas como eu posso saber que peixe eu posso comprar porque não está  em risco de extinção? Qual eu posso comprar hoje porque não está em desova? É muito trabalho...
Pois é, pode parecer muito trabalho de início. Mas a gente aprende que Natal é época de comer peru, que os católicos não comem carne vermelha na páscoa, que às 20h30 começa o jornal Nacional e um monte de outras coisas que ficam ocupando espaço na nossa cabeça. Porque não lembrar do que possa garantir que o seu sushi de atum continue a ser comido nos sábados a noite?

                                                 A primeira dica é: NÃO COMER CAÇÃO.
Sim!!! Se ninguém quer virar comida de tubarão, espero que possa ajudar também a ele não desaparecer através dos nossos pratos. Muitas espécies tem tido suas populações diminuídas. Deste modo, o ideal é escolher outro peixe para o “cação ao curry”.

                                               A segunda dica: fique atualizado nos noticiários.
Sim... são anunciados os períodos de proibição da pesca ou liberação. Aqui pipoca no jornal sobre o início da pesca da tainha. E essa é a época legal (em ambos os sentidos) para comer e se fartar, mas permitindo que elas se reproduzam.

                                  A terceira dica: imprime essa tabelinha e cole na geladeira.
Cole na geladeira do lado da lista de compras e daquelas fotos penduradas pelos ímãs de geladeira de souvenir ou de Disk-pizza. Essa tabelinha dá as principais informações sobre as espécies ameaçadas pelo consumo. Com uma lista BEM GRANDE!

Depois disso, se você curte um peixinho... Bom apetite!
(num próximo post mais algumas dicas sobre consumo consiente de peixes)

Mais sobre "The end of the line": Oceanus Atlanticus e Pong Pesca
 
Tabela retirada de Diálogos de patrimônio
 
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