15.10.13

Espaço

Sem espaço, mudo o passo. Paro e retorno, procuro o caminho para o momento certo. Aquele em que não havia lágrimas, não havia dor.
Não encontro. E corro, corro desesperada sentindo que meus músculos reclamam da falta de oxigênio, preciso alcançar o momento em que tudo se supera, o momento do esquecimento.
Ele não chega.
Enterro o rosto nas mãos, me afogo nos meus cabelos molhados do rio que sai de mim. Sinto a saliva grossa na garganta. Tudo me impede de respirar, penso que posso fugir para dentro de mim.
Explodo, sinto o ar sair dos meus pulmões com força, com som, com estouro. Parece que os ossos da minha traqueia vão rachar.

Arquejo. Durmo nesse espaço que desconheço, ao qual não pertenço.
Desperto, vejo olhos contornados por rugas profundas, olhos que refletem a luz que eu buscava. Há um sorriso abaixo dos olhos, é terno, indagador, confortador, cheio de amor. Amor?
De quem é esse rosto? Quem é essa senhora?

Por um momento imagino que estou em um sonho ou que alcancei aquele futuro.

Ela me toca com os dedos frios porém calorosos. Realmente desperto. Desperto porque sorrio em retribuição e aceito que nem tudo se perdeu.

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